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    Legalização dos jogos teve votos favoráveis de deputados da frente parlamentar evangélica

    O texto-base do projeto de lei que legaliza os jogos no Brasil, como cassinos, bingos e o bicho, teve 15 votos favoráveis de deputados da Frente Parlamentar Evangélica (confira os nomes abaixo). A maioria da Frente, que é formada por 114 parlamentares, fez forte oposição à proposta e tentou obstruir a sessão com a apresentação de dezenas de emendas, mas não conseguiu entregar todos os votos.

    O projeto acabou sendo aprovado por 246 votos a favoráveis e 202 contrários na madrugada desta quinta-feira. Outros sete deputados evangélicos se abstiveram ou não votaram, entre eles Celina Leão (PP-DF), que faz parte da diretoria da Frente. Mais do que a questão moral e religiosa, pesou a favor da medida o trabalho intenso de convencimento do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), um dos maiores entusiastas da proposta. A maioria do Centrão seguiu Lira e deu aval ao texto-base, cujos destaques devem ser votados hoje.

    O projeto de lei havia se tornado uma questão de honra para o recém-eleito presidente da bancada, deputado Sóstenes Cavalcante (União-RJ). O parlamentar passou o dia ontem discursando que a proposta atentava contra a família brasileira e que iria "tumultuar" a sessão com o chamado "kit obstrução". Nesta quinta-feira, ele fez uma crítica dura ao governo Bolsonaro, ao qual é aliado.

    — Reconheço e agradeço o esforço do presidente Jair Bolsonaro na votação dos jogos de azar. Entretanto, ficou provado que o governo está minado ideologicamente, quando a liderança do governo libera na orientação da bancada, mostra fragilidade de conceito ideológico. Lamentável — publicou Sóstenes em suas redes sociais.

    Na madrugada de quarta-feira, o presidente enviou uma mensagem de texto a alguns parlamentares aliados, sobretudo evangélicos, pedindo a rejeição do projeto. "Atenção! O item número 2 da pauta de hoje será a legalização dos jogos de azar. Peço o voto contra tal projeto. Obrigado. Presidente Jair Bolsonaro", dizia o texto.

    Apesar da orientação do presidente, a liderança do governo e do PL, o partido de Bolsonaro, liberaram a bancada a votar como quisesse. Além disso, um dos maiores defensores da medida era o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP). O PP e o PL foram as siglas que mais entregaram votos favoráveis à medida. Já o Republicanos, que é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), teve 9 votos favoráveis e 20 contrários.

    No mês passado, o presidente prometeu que iria vetar a proposta, caso fosse aprovada no Congresso. A despeito da derrota, integrantes da bancada evangélica avaliam com otimismo que, por enquanto, Lira não tem votos suficientes para derrubar um veto presidencial, o que requer o aval de pelo menos 257 parlamentares.

    Os parlamentares da frente evangélica que votaram a favor do projeto:

    Altineu Côrtes (PL-RJ)

    Andre Abdon (PP-AP)

    Carlos Gaguim (União Brasil-TO)

    Fausto Pinato (PP-SP)

    Jhonatan de Jesus (Republicanos-RR)

    Julian Lemos (União Brasil -PB)

    Laércio Oliveira (PP-SE)

    Lucas Redecker (PSDB-RS)

    Nereu Crispim (União Brasil -RS)

    Clarissa Garotinho (PROS-RJ)

    Tito (Avante-BA)

    Toninho Wandscheer (PROS-PR)

    Valdevan Noventa (PL-SE)

    Dra. Vanda Milani (Solidariede-AC)

    Joice Hasselmann (União Brasil -SP)

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